domingo, abril 6, 2025
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Crítica | Red Velvet Happiness Diary: My Dear, ReVe1uv – Documentário comemora 10 anos do grupo nos cinemas

Comemorando 10 anos, o Red Velvet chegou aos cinemas brasileiros com Red Velvet Happiness Diary: My Dear, ReVe1uv, um show com documentário do fancon tour realizado em agosto no SK Olympic Handball Gymnasium em Seul.

Sucesso internacional, o Red Velvet faz parte da terceira geração do K-POP, consolidando-se ao lado de nomes como BTS, EXO, GOT7, TWICE, SEVENTEEN e BLACKPINK. Essa é uma geração marcante, especialmente por ter sido responsável pela internacionalização do K-POP, levando a música sul-coreana às paradas mundiais e moldando o cenário que conhecemos hoje.

No documentário distribuído pela Sato Company, os ReVeluv — fãs do grupo — e curiosos são convidados a mergulhar na trajetória das integrantes Irene, Seulgi, Wendy, Joy e Yeri.

Criado em 2014, o Red Velvet se reconstrói neste documentário ao explicar como surgiu e se consolidou como grupo, moldando-se ao longo do tempo e conquistando o coração de seus fãs.

Para este show nos cinemas, a equipe acompanhou os bastidores e performances da 2024 Red Velvet FANCON TOUR <HAPPINESS: My Dear, ReVe1uv> in SEOUL, evento que celebrou os dez anos de história do grupo. Destaque para as cenas em formato ScreenX, que ampliam a experiência nas telonas e conseguem entregar uma sensação bastante próxima de um show ao vivo.

Mas vamos ao show em si?

Abrindo com Happiness, o Red Velvet relembra sua estreia no mercado sul-coreano. A música, divertida e ousada, trouxe uma fusão de estilos que revolucionou o K-POP com um grupo então novato, formado por Irene, Seulgi, Wendy e Joy.

Aqui, elas são bastante sinceras e estabelecem o tom do documentário, ao revelarem que inicialmente não compreendiam toda a complexidade de Happiness e o impacto que a música teria na evolução do grupo.

O show segue com Ice Cream Cake, lançada em 2015, e que marcou a chegada da quinta integrante, Yeri, então com 17 anos. Conhecida como a “irmã mais nova do grupo”, ela foi bem recebida e tornou-se uma parte fundamental do Red Velvet, amadurecendo ao lado do público.

Com um repertório bem escolhido, o grupo segue com a contagiante Parade, seguida por Sunny Afternoon, onde sobem ao palco com flores, evocando uma atmosfera nostálgica.

Mas por que “vermelho”?

É com Underwater que o Red Velvet explora além do próprio nome. Nesta fase, elas explicam como o grupo passou a representar tanto o “red” com sua energia pop, quanto o “velvet” com seu lado sofisticado e melódico. Essa transição marca também o início de um caminho mais sensual e introspectivo, diferente do pop animado apresentado até então.

Vale destacar que essa explicação sobre como suas músicas ganharam identidade própria não para por aí. Mesmo com as agitadas Bubble e Knock Knock, elas reforçam como o som do Red Velvet se tornou reconhecível, a ponto de o público associá-lo automaticamente ao grupo.

Retorno ao seu reinado

Com Feel My Rhythm, o grupo atinge talvez o ponto alto do show, seguindo com Queendom, que marcou seu retorno em 2021 e se tornou um dos maiores sucessos da fase mais recente.

Após um hiato de 1 ano e 11 meses, Queendom simboliza não apenas o retorno, mas também a entrada do grupo no Billboard Global 200, consolidando ainda mais seu sucesso internacional. Vibrante e cativante, é uma das minhas favoritas e justifica bem sua presença no setlist.

Um agradecimento ao público

Para encerrar o show, o grupo escolhe Cosmic, de 2024, como forma de agradecer aos fãs por esses dez anos. A música, já parte da fase atual do grupo, também simboliza um novo começo após essa jornada tão especial.

Encore

Como não poderia faltar, o Red Velvet retorna ao palco no encore com os lightsticks da turnê e cada um personalizado com uma “roupinha” diferente que o grupo celebra com os fãs mais uma vez.

Com sucessos como My Dear, Sweet Dreams, Red Flavor e Zimzalabim, o grupo embala o público enquanto recebe mensagens de voz de fãs agradecendo por essa década de trajetória. De pessoas que se encantaram em apenas 3 segundos ouvindo uma música, a outras que acompanham o grupo há anos, as mensagens emocionam e levam as integrantes às lágrimas.

Um show que percorre desde Happiness, de 2014, até Cosmic, de 2024, apresentando um Red Velvet que reflete seus desafios e amadurecimento junto ao público — algo que rendeu muitas conquistas ao longo do tempo. Agora, o grupo segue por uma nova estrada, provando que sua jornada continua.

Vale a pena assistir?

Sendo direto, Red Velvet Happiness Diary: My Dear, ReVe1uv entrega um show completo e cativante. Com músicas marcantes na história do K-POP e um documentário que apresenta o processo criativo do grupo, fica evidente a grandeza que elas alcançaram ao longo desta década.

Recentemente tivemos ZEROBASEONE: Timeless World in Cinemas, e comparando os dois, vale destacar que a forma como o documentário do Red Velvet combina depoimentos e performances facilita bastante a compreensão para o público. Ambos são tecnicamente excelentes — ZB1 transmite a energia e entusiasmo de um grupo em ascensão, enquanto o Red Velvet mostra a maturidade e solidez conquistadas ao longo dos anos. Em termos narrativos, o documentário do Red Velvet se destaca, tornando-se mais acessível e emocional.

Sei que pareço insistente ao comentar isso, mas mais uma vez temos um show sem legendas nas músicas. Entendo que há limitações contratuais envolvendo o licenciamento, mas mesmo assim, assistir a um musical sem tradução compromete a experiência. Um show nos cinemas exige o mesmo cuidado de um musical no palco, e a ausência de legendas dificulta o entendimento para quem não entende coreano. Torço para que, no futuro, tenhamos mais shows no Brasil com uma localização completa em português, incluindo títulos das músicas, nomes dos integrantes e tradução das letras. O documentário está tecnicamente impecável, com excelente filmagem e qualidade de som, faltando apenas ajustes na localização para que torne a experiência perfeita.

A tradução ficou a cargo de Natália Queiroz, com revisão de Gustavo Iracema, que acertaram ao usar um texto voltado ao público K-Pop. Termos como “Unnie” (irmã/amiga mais velha) aparecem nas legendas e, mesmo sendo algo mais nichado para fãs de K-dramas e K-pop, gostei da liberdade que a Sato Company teve ao optar por esse vocabulário, que conversa diretamente com seu público.

Por fim, Red Velvet Happiness Diary: My Dear, ReVe1uv consegue transmitir o calor de um show do grupo no Brasil. Produzido pela CJ 4DPLEX e ScreenX Studio, o documentário equilibra bem música e depoimentos, não só prendendo a atenção do público, mas também emocionando de verdade.

Nota: 4 (de 5)

Red Velvet Happiness Diary : My Dear, ReVe1uv

Data de estreia no Brasil: 3 de abril

País: Coréia do Sul

Duração: 114 min

Direção: SUN HYUNG KIM, YOONDONG OH

Elenco: IRENE, SEULGI, WENDY, JOY, YERI

Produtora: CJ 4DPLEX, SCREENX Studio

Produtor: DAVID TU SUN SONG

Classificação indicativa: livre

Agradecimentos a Sato Company e Sinny Assessoria pelo convite para produção deste conteúdo.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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