Um dos cinemas mais emblemáticos de São Paulo, o Cine Ipiranga, volta a abrir suas portas no próximo dia 12 de abril de 2025 para sediar a 1ª Mostra Angústia de Cinema. Fechado desde 2005, o espaço será reocupado por uma iniciativa que mistura arte, denúncia social e memória cultural. A mostra é gratuita e inclui exibições de curtas-metragens, debates com especialistas, performances e exposições.
A programação tem curadoria do ateliê Angústia e é realizada pela MyMama Entertainment, trazendo uma seleção de filmes que abordam temas urgentes como violência, desigualdade, direitos humanos e meio ambiente. Em comum, todos compartilham o sentimento que dá nome ao evento: a angústia como força criativa.
Um cinema histórico, uma mostra necessária
O Cine Ipiranga foi inaugurado em 1943 e durante décadas foi referência cultural na capital paulista. Em 2005, encerrou suas atividades de forma quase simbólica, com apenas seis pessoas na plateia. Desde então, o prédio tombado como patrimônio histórico permanece fechado, resistindo ao tempo e ao abandono.
Agora, duas décadas depois, o cinema será ocupado por um evento que transforma ruína em palco. A Mostra Angústia de Cinema é mais do que uma seleção de curtas — é um manifesto artístico. Os filmes apresentados foram produzidos ao longo de mais de dez anos por integrantes do ateliê Angústia, com direção de nomes como Fabrício Brambatti (o Urso Morto), Tommaso Protti e Carol Pires.
Filmes que tocam feridas abertas






A mostra conta com seis curtas-metragens que serão exibidos ao longo do dia:
- As 7 Mortes de Pedro (2012), de Fabrício Brambatti – um menino tenta entender a morte por meio de sete teorias;
- Brasil Impossível (2018), também de Brambatti – um retrato do país em suas contradições mais intensas;
- Meu Coração Já Não Aguenta Mais (2021) – sobre sonhos destruídos e futuros irrecuperáveis;
- Cativeiro (2020) – um olhar íntimo sobre as prisões que criamos para os outros e para nós mesmos;
- Terra Vermelha (2024), de Brambatti e Protti – documenta a violência e destruição na Amazônia;
- Maldito Darién (2024), de Brambatti, Protti e Carol Pires – acompanha migrantes em uma das rotas mais perigosas do mundo.
Essas obras misturam linguagem documental, experimental e narrativa para refletir realidades muitas vezes ignoradas pelo grande público, provocando conversas urgentes sobre o Brasil e o mundo contemporâneo.
Debates, exposições e encontros
Além dos filmes, a mostra oferece painéis de discussão com convidados como a psicanalista Vera Iaconelli, o ator e rapper Fernando Macario, a imigrante congolesa Tifani (que enfrentou a travessia do Darién), e especialistas do ACNUR, do Instituto Sedes Sapientiae e da cena artística brasileira. A programação inclui também exposição de fotografias, performances e outras intervenções artísticas — tudo gratuito.
Um gesto simbólico de resistência cultural
Mais do que reabrir um espaço físico, a mostra propõe um gesto simbólico: reocupar um lugar esquecido para dar visibilidade a histórias e vozes silenciadas. Segundo as fundadoras da MyMama Entertainment, Mayra Faour Auad e Gabrielle Auad, “realizar essa mostra no Cine Ipiranga é um ato político e artístico. É abrir espaço para obras urgentes, com coragem para enfrentar o que a sociedade muitas vezes prefere ignorar.”
O evento será gratuito, com ingressos disponíveis pela plataforma Sympla ou na bilheteria do Cine Ipiranga no dia. A entrada para exposições e performances não requer ingresso.

Serviço
📍 Local: Cine Ipiranga – Avenida Ipiranga, 752 – São Paulo/SP
📅 Data: 12 de abril de 2025
🕒 Horário: Das 14h às 23h
🎟 Entrada: Gratuita
📲 Ingressos: Sympla ou na bilheteria no dia do evento
Programação das exibições
- 15h: As 7 Mortes de Pedro (2012)
- 16h: Brasil Impossível (2018)
- 17h: Meu Coração Já Não Aguenta Mais (2021)
- 18h: Cativeiro (2020)
- 19h: Terra Vermelha: Uma vida e morte na Amazônia Brasileira (2024) – Estreia
- 20h: Maldito Darién (2024) – 1ª exibição no Brasil